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Envelhecer com Saúde e Prazer

Atualizado: 5 de Jul de 2020

Como a prática da Biodanza pode estimular a vitalidade nesta fase da vida humana



Almira Rocha (Mira)

A psicóloga e professora/facilitadora didata em Biodanza, Almira Rocha, completou 80 anos nesta semana. Para homenageá-la, queremos contar um pouco do seu processo vivencial de envelhecimento.


Participante ativa do movimento de Biodanza em Santa Catarina e no Brasil, Mira como carinhosamente é reconhecida em sua comunidade, vive viajando para outros estados a passeio e a trabalho, oferecendo seu conhecimento às Escolas de Biodanza do Nordeste e de outras regiões. Almira Rocha, além de praticar Biodanza, também pratica outras atividades físicas como hidroginástica e Pilates, e também faz parte de um grupo vocal, que a auxilia na atividade respiratória.

"Para mim a Biodanza trabalha de maneira prazerosa ao mesmo tempo que estimula o que há de sadio em nós. Ativa a alegria, o entusiasmo a criatividade, a capacidade de expressar sentimentos diversos como afeto, amor, solidariedade".


Segundo a psicóloga, há uma ideia errônea de que velhice seja sinônimo de doença e perda de autonomia. Para ela as pessoas não perdem suas habilidades físicas e intelectuais apenas devido a velhice. Elas perdem também por desuso, por inatividade, por um estilo de vida sedentário, por falta de atividade física.


Para a Organização Mundial da Saúde, pessoas em todo o mundo estão vivendo mais. Pela primeira vez na história, espera-se que a população mundial com mais de 60 anos chegue a 2 bilhões até 2050.

Fonte: Opas Brasil


Envelhecer com saúde envolve fatores fisiológicos, psicológicos, sociais, assim como fatores ambientais que qualifiquem o modo de vida da pessoa. E não pense que cuidar do processo de envelhecimento inicia somente nesta etapa da vida. Pelo contrário, quanto antes iniciarmos o processo de autocuidado na vida adulta, maior a possibilidade de manter a saúde em dia na terceira idade.


Biodanza e gerontologia

A Biodanza traz uma série de efeitos benéficos. Através das vivências envolvendo dança, canto, expressões, música e trabalho em grupo, a prática exerce papel fundamental para a socialização e integração humana desta parcela da população. Vale lembrar que em todas as classes de Biodanza, pessoas acima de 60 anos podem participar, o que geralmente é muito comum nos grupos regulares com idades variadas. Porém, existem exercícios e atividades específicas para grupos de idosos, sendo uma das aplicações deste sistema de desenvolvimento humano.



Escola Nordestina de Biodanza, em Fortaleza (1982) . Almira, primeira da direita

"Conheci a Biodanza em 1976, e para a minha sorte, foi através do seu criador, Rolando Toro. Através das minhas descobertas nas vivências minha identidade foi fortalecida e fez com que eu, de fato, me conhecesse mais profundamente."


Fascinada pelo método vivencial, Almira resolveu fazer a formação porque queria passar adiante o benefício que a Biodanza a fez. Eu continuo trabalhando e acredito que vou trabalhar sempre com a Biodanza, porque me sinto feliz em propagar saúde, afeto e amor através das vivências, conta nossa anciã.


De acordo com Rolando Toro, o trabalho com adultos de mais idade é da mais alta importância. Seus efeitos mais notórios com a prática da Biodanza são na reabilitação motora, na recuperação da auto-estima, na elevação da qualidade de vida e da comunicação afetiva e no despertar de potenciais tardios. "Biodanza em Gerontologia tem um efeito psicoprofilático que dá acesso a uma velhice feliz.”


Grupo de Biodanza - Aplicação para Idosos, em 2007 - facilitado pela Prof. Maria de Lourdes Artmann, de Balneário Camboriú - SC

É comum que algumas pessoas tentem nos convencer de que não devamos fazer algumas atividades físicas para não nos machucarmos. Acho que não devemos ter medo e sim confiar em nossa capacidade de decidir do que somos capazes, pois as atividades físicas além de trabalhar o corpo, nos beneficiando com resistência, força, equilíbrio e flexibilidade também oxigenam o cérebro e as ideias.


Por outro lado, a ciência já comprovou que o sistema nervoso tem plasticidade. O cérebro não é uma estrutura rígida, ao contrário, é adaptável e modificável. As conexões neurais são fortalecidas pelo uso. Os neurônios não se multiplicam, porém quando alguns desaparecem outros adquirem a capacidade de realizar as mesmas funções. Isso significa que sempre é tempo de aprender e desenvolver os nossos potenciais que ainda não foram expressos. Então sempre poderemos aprender a cantar, desenhar, pintar, dançar, falar outro idioma, o que nos atrair.

Cada dia me encanto mais com a força da vida e acredito no que Rolando chamou de Princípio Biocêntrico. Ele entendeu a vida como centro do universo, a existência de um princípio organizador que gera vida e mais vida a cada instante.


Na foto: Mira. O caminhar é uma forma de reabilitação existencial, segundo Rolando Toro

Como poderíamos entender o grande poder de regeneração que tem um organismo vivo? Como poderíamos entender o que nascemos sabendo sem necessitar aprendizagem? Como por exemplo sentir fome, sede, sono, cansaço que indicam as necessidades do nosso organismo a cada instante? Isto é a sabedoria dos instintos que provem dessa força organizadora que protege a vida.


A Biodanza também nos ensina a atender essas necessidades naturais e a nos autorregular. Me impressiona ver desde uma ferida cicatrizar até se gerar uma vida através de outras vidas. Nunca devemos deixar de lado a curiosidade pelo que nos rodeia, o desejo de aprender e experimentar coisas novas pois isso é o que nos mantem vivos, ativos e felizes.


As limitações físicas podem chegam com o passar do tempo, mas o idoso desenvolve uma visão mais global dos acontecimentos, favorecendo que a experiência e sabedoria adquiridas, nos ensinem a contornar as dificuldades com outras descobertas porque concordo com o que Rolando nos ensinou “Sem dúvida o passado é uma força viva que se retroalimenta no aqui e agora”, complementa.



Texto construído em parceria com Almira Rocha - Psicóloga, Professora/Facilitadora Didata em Biodanza Sistema Rolando Toro


Edição: Fernanda Dorta - Jornalista DRT 6392/PR


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